Este blog tem a finalidade de difundir a apicultura nacional e projectos de investigação realizados em Portugal. A APISMAIA realiza análises polínicas, físico-químicas e resíduos ao mel e outros produtos apícolas.
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Há cerca de 1 mês aproveitei para trocar ceras e equilibrar as colónias devido à perspectiva de um aumento de temperatura. Nas colmeias mais fracas, coloquei um quadro de criação operculada e aberta com o intuito de reforçar a população. Porém, esta estratégia não correu da melhor maneira. Pois passadas 2 semanas, surgiram larvas de giz (ascosferiose) em todas as colmeias e principalmente nas mais fracas. Presumo que esta "ascosfera" surgiu na sequencia de elevadas amplitudes térmicas. Por exemplo, no apiário da Póvoa de Varzim chegou a estar 18 ºC de méxima e 2 ºC de minima. Ora, o que as abelhas fizeram foi abandonar a criação recentemente introduzida. Como o fungo da Ascosphera apis é um oportunista, verificou que tinha as condições ideias para se desenvolver nesta criação "abandonada". Também verifiquei que em rainhas novas (obtidas em Setembro de 2009) as ascosferiose era minima ou quase nula. Penso que este facto reforça a importância de ter uma rainha nova para prevencção de doenças. REsumindo, mais vale fazer de devagar e bem do que ter a ânsia de obter bons enxames antes do prazo.

publicado por apismaia às 12:06
01
Mar
10

 

Introdução
O termo “biológico” é aplicado aos produtos alimentares produzidos segundo normas biológicas ao longo das fases de produção, manipulação, elaboração e comercialização e que são certificados por uma entidade devidamente constituída. Por conseguinte, o termo “biológico” refere-se mais ao processo de obtenção de um produto do que o produto em si. Seguindo esta ideia para obtermos mel biológico é necessário ter em atenção particular a produção e obtenção de cera. A cera tem uma estratégia primordial na apicultura biológica (AB), visto que nesta substância são armazenadas grandes quantidades de acaricidas e esporos de loque americana. Mas também poderemos ter precauções quanto à qualidade da cera na apicultura convencional.
Os acaricidas e a cera
Um dos problemas para obter ceras biológicas consiste no armazenamento de acaricidas nesta substância. As ceras necessárias para o fabrico de novas folhas laminadas devem ser provenientes de unidades de produção que praticam a AB. Porém, existe uma dificuldade em obter cera biológica no mercado nacional como na União Europeia. Perante esta situação, a utilização de ceras pode provir da apicultura convencional desde que produzida a partir de opérculos, principalmente para novas instalações ou durante o período de conversão. A possibilidade de recorrer às ceras de opérculos da apicultura convencional é baseada no facto de que este tipo de ceras ter níveis de concentração de acaricidas sintéticos baixos comparativamente aos favos. Também é verificado que as ceras originárias do ninho têm 5 a 10 vezes mais concentração de acaricidas do que os favos das alças. Consequentemente, ao diminuir a concentração de acaricidas na cera através da utilização de cera de opérculos, muito dificilmente o acaricida é difundido para o mel.
Durante a reciclagem da cera, é possível que a concentração de acaricidas aumente devido à mistura de ceras de várias origens (do ninho, das alças, dos opérculos). Por esta razão é necessário a separação das ceras, conforme a sua origem, de maneira a obter ceras provenientes de opérculos e, portanto, com menor concentração de acaricidas.
Embora seja um assunto pouco estudado, verifica-se que durante a reciclagem da cera (com temperaturas a variar entre 75 a 150 ºC) a concentração de acaricidas pode aumentar devido a estes apresentarem uma elevada solubilidade com as ceras. Em Portugal, a preocupação da acumulação de acaricidas nas ceras está relacionada com o fluvalinato (Apistan e Klartan). Este acaricida é facilmente acumulável na cera e aumenta a sua concentração ao longo dos tratamentos. No caso do amitraz (Apivar, Acadrex e Mitac) este degrada-se com facilidade nas ceras e muito dificilmente é quantificado, no entanto, os seus metabolitos são identificados. Um terceiro tipo de acaricida que tem sido utilizado é a supona (clorvenfinvos) e este também é armazenado nas ceras. O uso de acaricidas orgânicos (timol, ácido oxálico) a médio prazo possibilita a diminuição da concentração dos acaricidas sintéticos. Até para mais, os acaricidas que podem ser utilizados na AB não são armazenados na cera como também são evacuados por evaporação durante a centrifugação do mel.
Sendo a cera dos opérculos a aconselhada a ser adquirida para futura produção biológica, o cerificador solar é uma boa alternativa no início da actividade, até porque este equipamento é o aconselhável para este tipo de cera. Posteriormente, quando forem alcançadas maiores quantidades de cera biológica poder-se-á utilizar as caldeiras de vapor.
A loque americana e a cera
A cera é um reservatório de esporos da loque americana como também o mel, a colmeia e as abelhas que alimentam as larvas. Na apicultura, tanto convencional e biológica, é proibida a utilização de qualquer antibiótico como por exemplo a Terramicina, à base de oxitetraciclina. Por outro lado, a confirmação de loque americana obriga à destruição das colmeias infectadas, o que causa prejuízos elevados na produção apícola. Para obter resultados contra a loque é necessário apostar na prevenção, tal como a desinfecção do material da colmeia por raspagem e posterior uso do maçarico e constante substituição de ceras, tanto na apicultura convencional e biológica. Uma outra solução consiste em obrigar as abelhas adultas a produzirem cera e posteriormente retirá-la da colmeia. Esta operação é baseada no facto das abelhas expulsarem os esporos da loque para a cera produzida. Para efectuar esta operação poderemos observar a figura do post anterior.
Conclusões
Para a obtenção e maneio da cera biológica é necessário ter em atenção os seguintes pontos:
a)                  Obtenção de cera biológica através de opérculos;
b)                  Maior utilização de acaricidas orgânicos e óleos essenciais na apicultura convencional de maneira a diminuir concentração dos acaricidas sintéticos nas ceras;
c)                   Procura de cera convencional a partir de apiários com baixa utilização de acaricidas sintéticos, de preferência tratados com amitraz devido à sua rápida degradação na cera;
d)                  Substituição da cera de maneira a prevenir a loque americana;
publicado por apismaia às 15:39
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